Ficção americana

O projeto Fênix: um romance sobre TI, DevOps e como ajudar sua empresa a vencer

Gene Kim, premiado diretor de tecnologia, Kevin Behr, fundador do instituto de processos de tecnologia da informação, e George Spafford, narram a história fictícia de desenvolvimento de aplicações e operações de TI em uma empresa de autopeças de 4 bilhões de dólares de receita anual com operações de manufatura e varejo, com 120 lojas físicas, que necessita lançar uma solução de comércio eletrônico para renascer das cinzas e recuperar o espaço perdido para a concorrência.

Bill Palmer, vice-presidente de operações de TI da Parts Unlimited, aprende que há quatro tipos de trabalho: projetos de negócio, projetos internos, mudanças e trabalho não planejado. Ele deve manter um fluxo de trabalho contínuo entre desenvolvimento e operações de TI, deve proteger o gargalo fazendo com que ele esteja sendo aproveitado e tendo trabalho para fazer sempre e consegue isso com o que Eli Goldratt, autor de A Meta, chama de método Tambor-Pulmão-Corda. Um painel Kanban para a gestão visual de todos os itens de trabalho e de seu fluxo de trabalho ao longo da cadeia de desenvolvimento e de operações de TI é um excelente instrumento para isso.

Depois de 16 dias de negócios de tecnologia da informação caóticos, em crise, nos defrontamos com o que realmente importa, com as pessoas, com a liderança, com relações disfuncionais entre o principal executivo da empresa e o principal executivo de tecnologia da informação, cada um sentindo-se refém do outro em um casamento disfuncional. Pessoas são o que importa. Quando a equipe está disfuncional, confiança é a base de tudo. Para desenvolver confiança mútua, compartilhar quem somos e nossas vulnerabilidade ajuda a desenvolver o entendimento mútuo e a cooperação criativa. Tecnologia da informação também importa. Tecnologia da informação não é um mero departamento. É uma competência que deve ser aprendida e vivida por todos na empresa.

Quando um dos grandes problemas da operação de tecnologia da informação é o não cumprimento de datas prometidas, a possível causa é que a operação está aceitando mais encomendas do que é capaz de atender. Numa operação financeira, isso é chamado de débito financeiro. Numa operação de tecnologia da informação, isso é chamado de débito técnico. Isso aumenta o trabalho em elaboração e diminui o desempenho de prazo. A solução é congelar o recebimento de novas demandas até que o fluxo de trabalho seja regularizado. Isso é o equivalente ao stop and go em provas de automobilismo ou de triatlo e que, por exemplo, foi utilizado com sucesso por uma grande empresa de software no auge do desenvolvimento de aplicações e de operações de TI do eSocial brasileiro no segundo trimestre de 2018.

Utilizar quadros Kanban para priorizar os projetos e pacotes nas raias e acompanhar seu progresso nas colunas de itens pendentes, itens em andamento e itens concluídos ajuda a planejar o que somos capazes de entregar a cada ciclo de duas semanas. A ideia é gerenciar o fluxo de trabalho das operações de tecnologia da informação de modo semelhante à que gerentes de manufatura enxuta gerenciam a produção de seus produtos.

O tempo de espera cresce exponencialmente à medida que o tempo de utilização dos recursos cresce. O tempo de espera é igual a porcentagem de tempo ocupado dividida pela porcentagem de tempo livre. Por exemplo, um recurso com 50% de tempo ocupado e 50% de tempo livre tem um tempo de espera de uma unidade de medida, digamos uma hora. Recurso com 90% de tempo ocupado e 10% do tempo livre tem tempo de espera de nove unidades de medida, digamos nove horas.

Os objetivos dos processos de gerenciar recursos de tecnologia da informação devem estar alinhados com os objetivos estratégicos da empresa. A área de tecnologia da informação deve compreender os objetivos estratégicos da empresa e identificar como a tecnologia da informação pode contribuir para ou prejudicar os objetivos estratégicos da empresa. Isso é o que se chama de o primeiro caminho, o caminho do fluxo de trabalho, da visão sistêmica da organização. 

É importante que a organização de tecnologia da informação conheça os objetivos estratégicos de negócio, alinhe os objetivos de tecnologia de informação aos objetivos de negócio, identifique os riscos que a tecnologia da informação impacta sobre os objetivos de negócio e introduza indicadores-chave de desempenho de tecnologia da informação nos objetivos de negócio.

O processo de segurança da informação deve alinhar o escopo de segurança da informação e de auditoria com os objetivos de negócios e com os riscos críticos da tecnologia da informação sobre os objetivos de negócio, deve reduzir o escopo de controle e auditorias irrelevantes para o objetivo de negócio, gerando crédito técnico de recursos para serem alocados na compensação dos débitos técnicos de recursos da equipe de desenvolvimento de aplicações e de operações de tecnologia da informação e devem passar a verificar os processos de desenvolvimento de aplicações e de operações durante o fluxo do processo e não somente no seu final. É uma abordagem de reengenharia dos processos de tecnologia da informação muito semelhante à abordagem da reengenharia de processos proposta, por exemplo, por Michael Hammer em 1994.

A integração das equipes e dos processos de desenvolvimento de aplicações, operações de TI e segurança da informação permite ganhos de produtividade incríveis, tais como a redução do ciclo de implantação de soluções para 10 implantações por dia em vez de uma implantação a cada três meses ou a cada ano.

Recomendo este livro para gerentes de desenvolvimento de aplicações, operações de tecnologia da informação e segurança da informação interessados em aumentar a produtividade, a confiabilidade e a segurança de seus processos de tecnologia da informação.

Dei quatro estrelas para este livro porque é um romance inovador sobre tecnologia da informação, desenvolvimento de aplicações, operações de TI e estratégia de negócios que narra uma trama cativante de 90 dias de trabalho intenso e inovador no quarto trimestre de um ano decisivo para o futuro de uma grande empresa no segmento de manufatura e varejo automotivo, que nos faz sentir uma grande identidade universal com o dia-a-dia de trabalho de tecnologia da informação e de gestão empresarial atual e que nos oferece insights, mudanças de paradigmas e novos métodos para obtermos mais produtividade nas atividades de tecnologia da informação alinhadas com as estratégias dos negócios compartilhados criativamente e realisticamente por três luminares do movimento DevOps.

2 comentários

  1. Oi Iuri!

    Achei o livro muito interessante! Porém, acredito que o conceito de débito técnico não está bem colocado.

    Além disso, sempre tenho receio tanto do ponto de vista da gestão quanto do técnico, de achar que o Kanban resolve tudo!

    O que achas?

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    1. Oi, Adriano! O débito técnico ocorre quando uma equipe de tecnologia da informação contrata serviços a entregar em volume superior à capacidade de entrega de seus recursos. O gargalo de recursos com alocação de atividades superior a 90% ou 100% implica em aumento exponencial do tempo de espera. O Kanban protege o fluxo de trabalho e o tempo de resposta do gargalo ao definir o limite máximo de carga de de itens em andamento do gargalo. Por analogia, é o mesmo princípio de filas de atendimento de caixas bancários ou de agentes de viagem nos balcões de check-in das companhias aéreas. É necessário dimensionar a quantidade de pessoas que o atendente pode atender por hora com reserva técnica porque a chegada de passageiros flutua de acordo com a curva de Poison. Obrigado pela troca de ideias!

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