Crônica

Crônica nova e azul

Retomo a caneta, ou melhor, o teclado, para derramar divagações pelo papel digital, como se fossem migalhas de pensamentos no chão do infinito. Compreendi a importância de aproveitar cada momento, de ajudar, de viver intensamente – e talvez postar uma foto no Instagram.

Ruminei sobre viagens, filhos e trabalho, sobre as estradas não percorridas e a luta para encontrar sentido. O cenário é belo: uma piscina azul, o mar verde, coqueiros imponentes e crianças a brincar. Lembro de Paul Gauguin e sua viagem ao Taiti, o amigo de Van Gogh que sensualizou a vida indígena em suas telas, enquanto eu sensualizo a vida com meus textos.

A memória me traz a cobertura em Ipanema de Rubem Braga e a visita onírica de Antônio Prata, cujo estilo tanto admiro. E é com esse espírito que penso sobre a atenção plena, a busca pela conexão com o presente. Aquele instante em que o beija-flor paira no ar, extasiado pelo néctar do nada, e eu, extasiado pela beleza do nada que escrevo.

Domingo é dia de escrever, de extravasar tudo o que li e escutei durante a semana. Amigos, momentos de introspecção e expansão, a busca pela verdade subjetiva, que talvez se esconda em alguma gaveta empoeirada. A física quântica nos mostrou que o observador interfere na realidade, e assim, a paisagem praiana e seu horizonte infinito se tornam parte do nosso olhar, mesmo que involuntariamente.

As interações sociais, a empatia, a compaixão e o amor se misturam com as flores da primavera setentrional em pleno outono meridional. Cores vibrantes inundam o cenário do ciclo eterno da vida, como se fossem pinceladas de um artista embriagado. E me pergunto: onde quero chegar? Será que basta apenas observar, ou é preciso transcender, talvez com a ajuda de um gin e tônica?

Em um mundo dançante e harmonioso, anseia-se por tênis versáteis e pés diversos. Gêneros se reinventam, e bilhões de interações compõem um quebra-cabeça inclusivo e poético.

O tempo anda para a frente ou está parado? Será que o ser e o tempo, o ser e o nada, são apenas ilusões? Interações sociais, experiências com LSD e ayahuasca nos levam à dissolução do ego e ao encontro da essência humana, da natureza natural e, quem sabe, de um bom material para crônicas futuras.

Livres dos homens e de Deus, encontramos nossa identidade, liberdade e responsabilidade, mas também nos deparamos com a ansiedade, a angústia e o desespero. “No, I won’t be afraid. Stand by me”, ecoa a música em minha mente, reafirmando a importância da conexão com o outro, mesmo que seja através de uma crônica escrita na solidão.

Nessa dança harmônica, permito-me levar e ser levado, buscando transcender a mera observação e mergulhar no eterno ciclo da existência, como se fosse um mergulhador em busca de tesouros escondidos nas profundezas. E assim, entre as memórias do solo e do subsolo, do inferno, do purgatório, e do paraíso, encontro meu lugar nesta crônica nova e azul, que celebra a vida, o amor e a beleza em todas as suas nuances, mesmo aquelas que só enxergamos com olhos de poeta.

Nota: Recorri ao GPT-4 da OpenAI na revisão, lapidando a forma, mantendo a essência.

6 comentários

  1. Amei o texto! Entendi todo o contexto nas suas viajens arrebatado pelos inúmeros pensamentos, que embora muitos, estão coesos numa só indagação. Eu também mergulho em um infinito que me leva a muitos lugares e a lugar nenhum, E muitas vezes o que é claro para mim, torna-se difícil de fazer o outro entender.
    Não escrevo textos com os os seus… meus pensamentos me aceleram e me fazem engulir as etapas da escrita textual. Então, eu viajo em versos curtos nos quais a subjetividade fica no ar para quem quiser embarcar.
    Um grande abraço!
    Andréa Brandāo

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    1. Que bom que curtiu o texto e captou sua essência. Fluiu num jorro de pensamentos e, no fim, trata do sentido da vida – algo pessoal a cada um. A crônica tem seu quê de poético e ambíguo, deixando brechas para quem lê. Grato pelo comentário.

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